A Anthropic afirma que o Alibaba teria tentado extrair capacidades do seu modelo de inteligência artificial Claude em uma operação descrita como a maior já registrada pela empresa nesse tipo de atividade. O caso foi levado ao Senado dos Estados Unidos em uma carta datada de 10 de junho de 2026.
Segundo documentos citados pela Reuters e confirmados pela CNBC, a investigação envolve milhões de interações com o sistema e o uso de contas falsas em larga escala.
Caso entre Anthropic e Alibaba envolve suposta “destilação” de IA para replicar modelos mais avançados de inteligência artificial. – Imagem: Samuel Boivin/Shutterstock
O que é a “destilação” de IA
A chamada destilação é um método em que um modelo de IA mais simples aprende a partir das respostas de um sistema mais avançado. A CNBC explica que essa técnica é comum no desenvolvimento de inteligência artificial, mas pode ser usada de forma indevida para tentar replicar capacidades de modelos mais sofisticados.
A operação teria ocorrido entre 22 de abril e 5 de junho de 2026, somando cerca de 28,8 milhões de interações feitas por aproximadamente 25 mil contas falsas, conforme a Reuters. O volume, por si só, já chama atenção pelo nível de coordenação descrito nos documentos.
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A Anthropic afirma que os envolvidos estariam ligados ao Alibaba e ao laboratório de IA Alibaba Qwen. O grupo chinês não respondeu às acusações até o momento.
O que diz a carta enviada ao Senado dos EUA
A carta enviada aos senadores Tim Scott e Elizabeth Warren descreve o caso como o maior ataque de destilação já identificado pela empresa. O documento afirma que a prática teria como objetivo acelerar o desenvolvimento de modelos chineses com base em tecnologias mais avançadas.
A Anthropic também afirma ter identificado movimentações semelhantes envolvendo outros laboratórios de IA da China, como DeepSeek, Moonshot AI e MiniMax, indicando que esse tipo de atividade estaria se tornando mais frequente no setor.
Em comunicado citado pela CNBC, um porta-voz da Anthropic afirmou:
“Acreditamos que combater a ameaça da destilação ilícita exige ação coordenada entre governo e indústria”
“Continuaremos trabalhando com o Congresso e o governo para manter a liderança americana em IA”
Alibaba e laboratório Qwen são citados em suposto envolvimento, mas empresa chinesa não respondeu às acusações até o momento. – Imagem: jackpress / Shutterstock
IA, geopolítica e disputa por tecnologia
O caso surge em meio a uma tensão crescente entre Estados Unidos e China no campo da inteligência artificial. A Reuters lembra que o Alibaba foi incluído pelo Pentágono em uma lista de empresas ligadas ao setor militar chinês, classificação que o grupo contesta.
Ao mesmo tempo, o governo dos EUA vem ampliando mecanismos para monitorar o uso de modelos de IA por empresas estrangeiras. A CNBC destaca que memorandos recentes reforçam a cooperação entre governo e setor privado para identificar esse tipo de atividade com mais rapidez.
Segundo a matéria, a própria Anthropic também enfrenta restrições regulatórias, incluindo limitações de exportação de modelos como Fable 5 e Mythos 5, citando preocupações de segurança nacional.
Entre os principais pontos citados pelas duas agências estão:
uso de contas falsas em larga escala para simular interações com IA
milhões de consultas a sistemas avançados
tentativa de replicação de capacidades de modelos de ponta
possível envolvimento de laboratórios chineses de IA
aumento das tensões regulatórias entre EUA e China
O caso reforça como a disputa por inteligência artificial já não se limita à tecnologia, mas envolve também política e segurança nacional.
A Anthropic afirma que continuará colaborando com autoridades dos Estados Unidos enquanto o caso não tem resposta oficial do Alibaba. Até o momento, a empresa chinesa não se pronunciou detalhadamente sobre as acusações. O post Alibaba é acusado de tentar “copiar” IA da Anthropic apareceu primeiro em Olhar Digital.