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Com vibe coding, Skyone avança em estratégia além do backoffice

Redação Recifes
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Com vibe coding, Skyone avança em estratégia além do backoffice

A Skyone fez o seu nome no mercado brasileiro entregando um trabalho que, para muitos, é invisível: cloud, integração de sistemas e dados. Contudo, em um novo sprint de crescimento após um investimento internacional, a empresa quer subir um degrau nessa relação, trazendo uma nova solução baseada em uma tecnologia em alta no momento: o vibe coding.

O instrumento dessa virada é o Skyone Creator, anunciado pela companhia nesta quarta-feira (12) como seu principal produto em 2026. Com o novo módulo, a empresa quer permitir que seus clientes criem aplicações corporativas a partir de linguagem natural, dentro dos ambientes gerenciados pela Skyone.

Em conversa com o Startups, Luiz Eduardo Severino, diretor de Produtos da Skyone e idealizador do projeto, explica que o Creator combina “a velocidade e a simplicidade do vibe coding com a estrutura exigida pelo ambiente corporativo”.

Pela solução, o usuário conversa com a plataforma como conversaria com uma pessoa, e a IA interpreta o pedido, gera o código e o transforma em aplicações internas, dashboards, portais e automações. Segundo o executivo, é possível gerar uma primeira versão funcional de um site, dashboard ou aplicação em minutos.

Mas o ponto que a Skyone faz questão de frisar não é o “criar rápido”, e sim o “criar com governança”. “O mercado já percebeu que a inteligência artificial pode acelerar o desenvolvimento de software, mas ainda enfrenta dificuldades para transformar protótipos em aplicações conectadas à operação”, afirma Severino.

A peça que faltava

De acordo com o diretor, o Creator é a evolução de uma linha que a empresa vinha desenhando desde 2024, quando criou o Skyone Studio, sua plataforma proprietária de integração, dados, automações e agentes, que permitia aos usuários montar ambientes de forma simplificada.

A lógica, conta, foi por camadas: primeiro a integração com ERPs e legados, depois um data lake para centralizar a informação, em seguida a construção de agentes — e, agora, a aplicação. “Já que seus dados estão aqui, você já tem as conexões aqui, você já constrói os seus agentes aqui, por que não construir as suas aplicações aqui também?”, pontua.

A demanda, segundo ele, veio da própria base. Clientes que usavam o Studio no limite passaram a pedir mais do que dashboards prontos: queriam construir suas próprias soluções, com os dados da empresa e sob regras claras de segurança. Muitos recorriam a ferramentas externas de vibe coding, como Lovable e Base44, algo que, em vez de ajudar, aumentava a complexidade dos ambientes. “É mais uma coisa para integrar, e não algo que integraria fim a fim dentro do próprio ambiente que ele já tem hoje.”

A expectativa da Skyone é que o Creator funcione como uma alavanca de adoção do Studio dentro da própria carteira. Hoje, a plataforma tem penetração de 10% a 15% na base total da companhia, segundo Severino, e é justamente essa margem que a empresa quer expandir.

O modelo comercial reforça a tese de que o objetivo é engajar e expandir a base atual, não vender um produto avulso. O Creator não será cobrado à parte: entra como uma feature adicional de determinados planos do Skyone Studio, e o cliente paga pelo consumo de tokens que já contrata. “É para ampliar a nossa oferta do Skyone Studio, torná-lo acessível à nossa base, com a máxima responsabilidade possível”, explica o diretor.

A aposta se apoia em um argumento de visibilidade: por operar num “meio invisível”, a Skyone sempre dependeu de convencer o time técnico do cliente do seu valor; agora, diz Severino, a ferramenta “rompe uma barreira” ao ser tácita e fácil de entender para as áreas de negócio, encurtando o caminho até a adoção.

“A expectativa de penetração na base atual é alta”, resume. “Estou bastante animado com o Creator, que tem um potencial muito grande de escalar muito rápido dentro da nossa base, em pouquíssimo tempo”, completa o executivo, sem dar estimativas.

Momento da Skyone

O lançamento do Creator vem no rastro de um momento de expansão acelerada para a Skyone. A companhia fechou 2025 com receita de R$ 400 milhões, projeta crescimento de 50% em 2026 e atende mais de 25 mil clientes em mais de 35 países, apoiada em um ecossistema de mais de 400 parceiros de software.

Apesar de a novidade e o Skyone Studio serem iniciativas anteriores ao aporte que a Advent fez na Skyone no ano passado, o diretor afirma que tudo se alinha para um fim compartilhado – o de ser mais do que um fornecedor no backoffice dos clientes. “Nós não estamos construindo apenas software, estamos construindo um sistema operacional para as empresas”, resume o executivo.

Essa foi a tese que fez a Advent liderar uma Série C de valor não divulgado na companhia, que desde então já colocou o dinheiro para trabalhar. Em junho, a Skyone anunciou a maior aquisição de sua história, a compra da ADD IT, e Luiz vê o Creator amplificando também esse movimento inorgânico, ao facilitar a entrada em novas áreas dos clientes adquiridos.

“Dar liberdade para a empresa fazer o que ela pode fazer de melhor, ou potencializar, é o nosso grande objetivo”, pontua. “A linguagem agora é contexto. E quem tiver o devido conhecimento tem um salto muito grande. O que vai valer agora é a experiência, e a gente precisa criar mais facilidade (para o cliente). Temos a certeza de que criamos mais uma dentro do ecossistema da Skyone. O Creator é isso”, conclui.

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Artigo originalmente publicado em startups.com.br
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