Negócios em Emersão  ·  Vamos Emergir?  ·  Cadastre-se e ganhe 50 REC de bonus

Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos, diz Financial Times

Redação Recifes
158 visualizações
Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos, diz Financial Times

Cabine dp Volkswagen T-Cross Rock in Rio divulgação / Volkswagen A Volkswagen planeja cortar até 100 mil empregos e encerrar a produção em quatro fábricas na Alemanha, publicou o jornal inglês Financial Times nesta sexta-feira (26). A medida marca uma intensificação do programa de corte de custos da companhia, pressionada pelo rápido avanço das montadoras chinesas no mercado global. Se confirmado, o corte representaria a eliminação de quase um em cada seis dos cerca de 625 mil postos de trabalho da empresa em todo o mundo, tornando-se um dos maiores programas de demissões da história da indústria automobilística. Caso seja implementado, o plano — que deverá enfrentar duras negociações com os sindicatos — superaria os 74 mil empregos eliminados pela General Motors durante sua reestruturação nos anos 1990 e os 60 mil cortes promovidos pela IBM em 1993. A Volkswagen, sediada em Wolfsburg, já havia anunciado a intenção de eliminar 50 mil empregos na Alemanha até o fim de 2030 e reduzir em 500 mil veículos sua capacidade de produção no país. Segundo uma fonte familiarizada com o plano, a nova proposta — revelada inicialmente pela revista alemã Manager Magazin — pode levar ao corte de mais 50 mil postos de trabalho, além do previsto anteriormente. No passado, metas de redução de empregos na Volkswagen — uma das maiores empregadoras industriais privadas da Alemanha — acabaram sendo suavizadas após negociações com os representantes dos trabalhadores. As novas medidas de reestruturação vêm logo após a venda da divisão de motores marítimos Everllence para a gestora americana Bain Capital, operação que deve render 7,4 bilhões de euros à companhia. O presidente-executivo da Volkswagen, Oliver Blume, busca enxugar a estrutura do grupo para concentrar esforços no negócio principal de automóveis. A expectativa é que a empresa também venda outros ativos para reforçar o caixa, diante da crescente pressão sobre o setor. No fim de 2024, a Volkswagen fechou um acordo histórico com os sindicatos para reduzir empregos e capacidade produtiva na Alemanha. No entanto, a montadora afirma que as tarifas impostas pelos Estados Unidos, o conflito no Oriente Médio e a deterioração do mercado chinês tornaram necessárias novas medidas. Pelo plano anterior, a empresa fechou uma pequena fábrica em Dresden, no leste da Alemanha. Também procura um comprador para sua unidade em Osnabrück, cuja produção deve ser encerrada no próximo ano, e chegou a negociar com a fabricante do sistema antimísseis israelense Iron Dome. Agora, a proposta prevê o encerramento da produção em outras quatro fábricas: as unidades da Volkswagen em Emden, Zwickau e Hanover, além de uma fábrica da Audi em Neckarsulm. Blume já declarou anteriormente que fechar fábricas definitivamente não era sua opção preferida. Segundo ele, a empresa buscava soluções "inteligentes", como fabricar modelos chineses da Volkswagen nessas unidades ou transferi-las para outras montadoras ou empresas do setor de defesa. As montadoras europeias vêm sofrendo com o avanço das fabricantes chinesas, que responderam por quase 10% dos veículos novos vendidos na Europa nos cinco primeiros meses deste ano, segundo a associação europeia da indústria automobilística, Acea. "Nunca o nível de risco foi tão alto", afirmou Blume aos acionistas durante a assembleia anual da Volkswagen realizada na semana passada. A empresa estabeleceu como meta economizar 6 bilhões de euros por ano até 2030 com a reestruturação e afirmou que os custos continuam sendo "a área em que há maior necessidade de ação". A Volkswagen se recusou a comentar o novo plano, cujos detalhes devem ser apresentados ao conselho de supervisão da companhia em 9 de julho. "Os assuntos em questão são discutidos e aprovados pelos órgãos competentes de governança. Não vamos antecipar esse processo", afirmou a empresa. Os detalhes divulgados pela imprensa — que incluem uma reorganização capaz de limitar direitos dos funcionários — provocaram forte reação dos representantes dos trabalhadores. "Se esses planos forem levados adiante, nós nos oporemos com toda a nossa força", afirmaram em nota Daniela Cavallo, presidente do conselho de trabalhadores da Volkswagen, Christiane Benner, presidente do sindicato IG Metall, e Thorsten Groeger, líder sindical da Baixa Saxônia. "O que realmente importa é outra coisa: em vez de agir com reações impulsivas e sem reflexão, a diretoria deveria finalmente fazer o seu trabalho", concluíram.

Artigo originalmente publicado em g1.globo.com
Compartilhar:

Comentários

Seja o primeiro a comentar!